← Todas as notícias

Saúde mental no futebol feminino: 57% das jogadoras relatam dificuldades, e a alimentação entra no cuidado

Bem-estarPor Redação União Flora
Saúde mental no futebol feminino: 57% das jogadoras relatam dificuldades, e a alimentação entra no cuidado

Relatório da FIFPRO mostra que 57% das jogadoras relatam dificuldades de saúde mental e metade delas diz não ter apoio dos clubes. Entenda os números e o papel da alimentação e do apoio psicológico.

Mais da metade das jogadoras de futebol profissional relata dificuldades de saúde mental, e metade delas diz não ter recebido apoio psicológico do clube. O dado vem do relatório "Condições de Trabalho no Futebol Feminino", divulgado em 2026 pela FIFPRO, o sindicato mundial de jogadores, e foi destaque na reportagem do g1 e em outros veículos nesta segunda-feira (12).

Neste texto, com palavras nossas, resumimos o que o relatório mostra, por que o apoio psicológico importa e onde a alimentação entra na conversa: o prato não trata um problema de saúde mental, mas faz parte do cuidado de quem treina. Este conteúdo é informativo e não substitui a orientação de profissionais de saúde.

O que mostra o relatório da FIFPRO?

Segundo a cobertura da Exame, da CNN Brasil e da InfoMoney, o levantamento ouviu cerca de 800 jogadoras e analisou 30 ligas nacionais femininas. Os principais números:

  • 57% das jogadoras relataram dificuldades de saúde mental.
  • Metade dessas jogadoras disse que o clube não ofereceu apoio psicológico.
  • 49% estão pensando em deixar o esporte antes do que haviam planejado. Entre elas, 59% apontam a situação financeira e 46% o estresse psicológico.
  • 47% afirmam que o clube não tem profissionais suficientes para a demanda do trabalho.
  • Apenas 8 das 30 ligas analisadas têm acordo coletivo negociado por sindicato de jogadoras.
Os números do relatório da FIFPRO sobre saúde mental e condições de trabalho no futebol feminino
Os números do relatório da FIFPRO sobre saúde mental e condições de trabalho no futebol feminino

Há também avanços: o salário médio mensal, corrigido pela inflação, subiu para cerca de 2.600 dólares, e o tempo médio de contrato passou de 12 para 19 meses. A mediana, porém, é bem menor, o que mostra que a melhora não chegou a todas. As reportagens não deixam totalmente claro se a "metade sem apoio" se refere às 57% com dificuldades ou ao total de entrevistadas. A leitura mais comum é a primeira.

Por que o apoio psicológico precisa fazer parte do clube?

Porque a saúde mental afeta a vida e o desempenho de quem compete. O consenso do Comitê Olímpico Internacional sobre saúde mental em atletas de elite, publicado em 2019, afirma que sintomas e transtornos mentais são comuns entre atletas de elite e que o cuidado deve olhar para o indivíduo e também para o ambiente em que ele treina e compete.

A FIFPRO defende que o apoio psicológico seja obrigatório e cita, como exemplo, a liga profissional feminina dos Estados Unidos (NWSL), onde os clubes têm profissionais de saúde mental e as jogadoras podem ter até seis meses de licença para tratamento.

Publicidade · União Flora

Publicidade União Flora: conheça a linha esportiva Force Sens

E a alimentação, onde entra?

Entra como parte do cuidado, e não como substituta do tratamento. Vale separar três ideias:

Comer o suficiente. O consenso do COI de 2023 sobre a Deficiência Relativa de Energia no Esporte (REDs) descreve que gastar mais energia do que se ingere, a chamada baixa disponibilidade de energia, está associada a prejuízos à saúde e ao desempenho, e o documento aponta associações entre essa condição e a saúde mental. Para quem treina muito, comer pouco não é "disciplina": pode ser risco.

Comer com variedade. A Harvard Health resume que padrões alimentares ricos em frutas, verduras, grãos integrais, peixes e azeite foram associados a menor risco de depressão, e padrões com muita carne processada, grãos refinados e doces, a maior risco. É uma associação: alimentação ajuda, mas não substitui psicólogo, psiquiatra nem tratamento.

Cuidar de nutrientes que dependem do prato. Quem exclui alimentos de origem animal, por exemplo, precisa de atenção com a vitamina B12, que só existe naturalmente nesses alimentos. Veja a nossa matéria sobre a vitamina B12 e sobre o que a ciência diz sobre vitaminas e saúde mental.

Alimentação e saúde mental: 5 pontos para quem treina
Alimentação e saúde mental: 5 pontos para quem treina

Suplemento resolve?

Não substitui. O Guia Alimentar do Ministério da Saúde recomenda preferir alimentos in natura ou minimamente processados, e a própria norma da Anvisa trata o suplemento como complemento da alimentação. Para entender a diferença e quando suplementar pode fazer sentido, leia: Suplementação e alimentação: qual a diferença. Suplemento não trata dificuldade de saúde mental.

Como procurar ajuda?

Se você, ou alguém próximo, está em sofrimento, procure um profissional de saúde. O CVV oferece apoio emocional gratuito e sigiloso pelo telefone 188, 24 horas por dia, e também por chat e e-mail. Em situação de risco imediato, ligue para o SAMU (192) ou vá ao serviço de urgência mais próximo. No SUS, a Unidade Básica de Saúde é a porta de entrada, e os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) acompanham quem precisa de cuidado contínuo.

Resumo rápido

  • 57% das jogadoras relatam dificuldades de saúde mental e metade delas diz não ter apoio dos clubes (FIFPRO, 2026).
  • O apoio psicológico precisa ser parte do trabalho, e não um favor.
  • Comer o suficiente e com variedade faz parte do cuidado, mas não substitui o tratamento.
  • Suplemento complementa a alimentação; não trata saúde mental.
  • Precisa conversar agora? CVV 188, 24 horas.

Referências

Suplementos alimentares não são medicamentos e não substituem uma alimentação equilibrada nem o acompanhamento de profissionais de saúde. Se você está em sofrimento, procure ajuda: o CVV atende pelo 188, 24 horas.

As informações têm caráter educativo e não substituem a orientação de médico ou nutricionista. Suplementos alimentares não são medicamentos e não devem substituir uma alimentação equilibrada.

Foto de capa: Unsplash.

← Voltar às notícias