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Pressão alta: controlar melhor poderia evitar mais de 500 mil mortes por ano, estima pesquisa

Bem-estarPor Redação União Flora
Pressão alta: controlar melhor poderia evitar mais de 500 mil mortes por ano, estima pesquisa

Estimativa apresentada em congresso da American Heart Association aponta cerca de 518 mil mortes cardiovasculares evitáveis por ano em 20 países. Entenda os números, os limites do estudo e o que ajuda a controlar a pressão.

Melhorar o controle da pressão alta poderia evitar mais de 500 mil mortes por doenças cardiovasculares por ano em países de renda média. É a estimativa de uma pesquisa apresentada no Hypertension Scientific Sessions 2026, congresso da American Heart Association (AHA), e destacada pelo g1 nesta segunda-feira (12).

Neste texto, com palavras nossas, resumimos o que o estudo diz, por que o número precisa ser lido com cuidado e o que a ciência já sabe sobre o controle da pressão, incluindo o papel da alimentação. Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação de um médico.

Medição da pressão arterial com esfigmomanômetro. Foto: CDC/Unsplash
Medição da pressão arterial com esfigmomanômetro. Foto: CDC/Unsplash

O que mostra a pesquisa?

De acordo com a reportagem republicada pelo Notícia Max, o trabalho foi liderado por Scott Pilla, da Faculdade de Medicina da Universidade Johns Hopkins (EUA), e analisou 20 países de renda média-alta e média-baixa. Os pesquisadores usaram modelos estatísticos para simular quantas vidas poderiam ser salvas por ano se seis serviços de prevenção, comprovadamente eficazes, chegassem a cerca de 80% das pessoas que precisam deles, nível semelhante ao observado em sistemas de saúde dos Estados Unidos. Os principais números:

  • Controle da pressão arterial: cerca de 518 mil mortes cardiovasculares evitadas por ano.
  • Estatinas para quem tem colesterol alto, quando indicadas: cerca de 340 mil.
  • Controle da glicemia em pessoas com diabetes: cerca de 310 mil.
  • Só cerca de 1 em cada 5 adultos com pressão alta tinha a pressão controlada, abaixo de 140/90 mm Hg, nos países analisados.
Os números da estimativa sobre pressão alta, colesterol e diabetes
Os números da estimativa sobre pressão alta, colesterol e diabetes

Por que o número deve ser lido com cuidado?

Porque se trata de uma estimativa, e não de uma contagem. O próprio autor explica que o valor vem de um modelo de simulação e que o resultado real deve ficar em uma faixa em torno do número, e não nele exatamente. Além disso, é um resumo apresentado em congresso, ainda sem revisão por outros especialistas, então as conclusões são preliminares até a publicação em revista científica. A reportagem também não cita o Brasil nem lista os países analisados, e os autores apontam que alguns países tinham poucos dados sobre o uso de serviços de prevenção.

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O que é a pressão alta e por que ela passa despercebida?

Segundo a Organização Mundial da Saúde, cerca de 1,4 bilhão de adultos de 30 a 79 anos viviam com hipertensão em 2024, o equivalente a 33% dessa faixa etária. Perto de 44% não sabiam que tinham a doença, e só cerca de 23% estavam com a pressão sob controle. Na maioria das vezes não há sintomas, por isso só a medição regular detecta o problema.

O diagnóstico é feito pelo profissional de saúde, quando as medidas em dois dias diferentes ficam em 140/90 mm Hg ou acima. A OMS orienta procurar atendimento imediato diante de pressão muito alta (em geral 180/120 ou mais) com sintomas como dor de cabeça intensa, dor no peito, falta de ar ou confusão.

O que ajuda a controlar a pressão?

A OMS aponta como primeiro passo as mudanças no estilo de vida, e muitas pessoas também precisam de remédio, que deve ser tomado exatamente como prescrito. Entre as medidas:

  • Comer mais frutas e verduras e reduzir o sal e as gorduras saturadas e trans.
  • Fazer ao menos 150 minutos por semana de atividade física moderada, mais exercícios de força em 2 ou mais dias.
  • Manter o peso adequado, evitar o tabaco e o excesso de álcool.
  • Medir a pressão com regularidade, manter as consultas e cuidar do estresse.

E a alimentação, onde entra?

Entra com peso. A Harvard T.H. Chan explica que o excesso de sódio faz o corpo reter água, o que aumenta o volume de sangue e o trabalho do coração, e que a maior parte do sódio vem de alimentos industrializados e processados, e não do saleiro. O potássio, presente em frutas e verduras, age no sentido contrário: ajuda a relaxar os vasos e a eliminar o sódio.

Frutas e verduras frescas. Foto: Nathan Dumlao/Unsplash
Frutas e verduras frescas. Foto: Nathan Dumlao/Unsplash

A chamada dieta DASH, com frutas, verduras, grãos integrais e menos sódio, reduziu a pressão nos estudos, e o efeito foi maior quando combinada com menos sal. É o mesmo princípio do Guia Alimentar para a População Brasileira: preferir alimentos in natura ou minimamente processados a ultraprocessados.

Suplemento controla a pressão?

Não. Nenhum suplemento substitui o acompanhamento médico, os remédios prescritos e as mudanças no estilo de vida. Sobre o magnésio, por exemplo, a Harvard informa que, apesar de uma alegação aprovada nos Estados Unidos sobre pressão arterial, a evidência é inconsistente e inconclusiva, como mostramos em nossa matéria Para que serve o magnésio?. E, para entender o papel do suplemento, leia: Suplementação e alimentação: qual a diferença. Nunca interrompa um remédio para pressão por conta própria.

Resumo rápido

  • Uma estimativa apresentada em congresso aponta que controlar melhor a pressão poderia evitar cerca de 518 mil mortes cardiovasculares por ano em 20 países de renda média.
  • É uma simulação, preliminar e sem revisão por pares.
  • A pressão alta costuma não dar sintomas: meça regularmente.
  • Comer menos sódio e mais frutas e verduras, mexer o corpo e seguir o tratamento fazem diferença.
  • Suplemento não controla a pressão nem substitui o remédio.

Referências

Suplementos alimentares não são medicamentos e não substituem uma alimentação equilibrada nem o acompanhamento de profissionais de saúde.

As informações têm caráter educativo e não substituem a orientação de médico ou nutricionista. Suplementos alimentares não são medicamentos e não devem substituir uma alimentação equilibrada.

Foto de capa: Unsplash.

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