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Melatonina e sono: o que dizem as pesquisas sobre eficácia, segurança e as regras no Brasil

Bem-estarPor Redação União Flora
Melatonina e sono: o que dizem as pesquisas sobre eficácia, segurança e as regras no Brasil

A melatonina ajuda mesmo a dormir? Veja o que mostram as meta-análises e as diretrizes, os cuidados com a segurança, a qualidade dos produtos e como a Anvisa trata o suplemento.

A melatonina virou o suplemento mais lembrado quando o assunto é dormir melhor. Mas o que as pesquisas mostram de verdade? Neste texto, com palavras nossas e com dados de fontes científicas, explicamos o que se sabe sobre o efeito da melatonina no sono, quais são os cuidados e como o produto é tratado no Brasil.

Transparência: a União Flora fabrica e vende suplementos com melatonina. Por isso, esta matéria segue as fontes e não faz promessas sobre o produto.

Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação de um médico.

Mulher dormindo em uma cama. Foto: Slaapwijsheid.nl/Unsplash
Mulher dormindo em uma cama. Foto: Slaapwijsheid.nl/Unsplash

O que é a melatonina?

É um hormônio que o cérebro produz em resposta ao escuro e que ajuda a regular o ciclo de sono e vigília, segundo o NCCIH, órgão de saúde integrativa dos Estados Unidos. Os suplementos, em geral, são feitos de forma sintética.

A melatonina ajuda a dormir?

Um pouco, segundo a melhor evidência disponível. Uma meta-análise de 15 estudos, com 284 pessoas, resumida na revista American Family Physician, encontrou que a melatonina reduziu em cerca de 7,5 minutos o tempo para pegar no sono em comparação com o placebo, aumentou o tempo total de sono em cerca de 12,8 minutos e melhorou a eficiência do sono em 2%. Em outras palavras, o efeito médio é de minutos, não de horas. Além disso, a maioria dos estudos foi pequena (menos de 30 pessoas) e durou duas semanas ou menos, e a análise não avaliou os efeitos colaterais.

O que uma meta-análise encontrou sobre melatonina e sono
O que uma meta-análise encontrou sobre melatonina e sono

O que dizem as diretrizes médicas?

Para a insônia crônica, as diretrizes não recomendam a melatonina por falta de evidência suficiente e preferem a terapia cognitivo-comportamental para insônia (TCC-I), segundo o NCCIH. A American Family Physician lembra que as diretrizes de 2017 da Academia Americana de Medicina do Sono dão uma recomendação fraca contra a melatonina de 2 mg, pelo benefício pequeno em estudos de baixa qualidade. As diretrizes de diagnóstico e tratamento da insônia também apontam a terapia comportamental como conduta padrão.

Em quais situações há alguma evidência?

Segundo o NCCIH, algumas revisões sugerem que a melatonina pode reduzir os sintomas de jet lag, com mais apoio após voos para o leste, e que pode ajudar quem tem a fase do sono atrasada a dormir mais cedo, embora não esteja claro se os benefícios superam os riscos. Em crianças, uma revisão de 2019 viu efeito em dormir mais cedo e por mais tempo, mas com estudos pequenos e curtos, e a dose e os efeitos de longo prazo são incertos. Para quem trabalha em turnos, a evidência é inconclusiva.

O que a pesquisa indica sobre a melatonina em cada situação
O que a pesquisa indica sobre a melatonina em cada situação

É segura?

O uso de curto prazo parece seguro para a maioria das pessoas, mas faltam dados de segurança a longo prazo, principalmente com doses acima do que o corpo produz, de acordo com o NCCIH. Os efeitos leves mais comuns em adultos são dor de cabeça, tontura, náusea e sonolência. Quem tem epilepsia ou usa anticoagulantes precisa de acompanhamento médico, e há pouca pesquisa em gestantes e lactantes. Em idosos, pode haver sonolência durante o dia, e o NCCIH cita orientação contra o uso em pessoas com demência. Em crianças, converse sempre com um profissional de saúde, e guarde o produto fora do alcance delas: um relatório do CDC estimou 11 mil atendimentos de emergência, entre 2019 e 2022, por ingestão sem supervisão de melatonina por crianças de até 5 anos.

E o estudo que ligou melatonina e insuficiência cardíaca?

Em novembro de 2025, um estudo apresentado em um congresso da American Heart Association chamou atenção: entre 130.828 adultos com insônia em prontuários eletrônicos, quem usava melatonina havia pelo menos um ano teve mais diagnósticos de insuficiência cardíaca do que quem não usava (4,6% contra 2,7%), segundo o resumo do American College of Cardiology. Os próprios autores ressaltam que o estudo é observacional e não prova que a melatonina cause o problema: pessoas com insônia grave podem ter outros fatores de risco. Trata-se de um sinal que pede mais pesquisa, e não de motivo para suspender um tratamento por conta própria.

O produto que eu compro tem o que diz o rótulo?

Nem sempre. Um estudo de 2023 citado pelo NCCIH analisou 25 gomas de melatonina vendidas nos EUA: 22 estavam com a quantidade inexata no rótulo, e algumas continham até 3,5 vezes mais do que o informado. Por isso, prefira produtos de empresas regularizadas, siga o rótulo e informe ao médico tudo o que você toma.

Como a melatonina é tratada no Brasil?

Desde outubro de 2021, a Anvisa autoriza a melatonina como ingrediente de suplementos alimentares, segundo a Nutraingredients, que relata o limite de 0,21 mg por dia para adultos a partir de 19 anos. O rótulo deve alertar que o produto não deve ser consumido por gestantes, lactantes, crianças e pessoas em atividades que exigem atenção constante, e a Anvisa não aprovou alegações de benefícios para esses suplementos (veja o voto da diretoria da Anvisa). Antes disso, a melatonina só podia ser vendida com receita, em farmácias de manipulação.

O que fazer antes de recorrer a um suplemento?

Comece pela rotina de sono: horário regular, quarto adequado, menos telas e cafeína no horário certo. Veja o passo a passo em Protocolo para dormir melhor. Se o problema durar semanas, procure um médico, que pode indicar a TCC-I.

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Resumo rápido

  • A melatonina é um hormônio do sono; em suplemento, o efeito médio nos estudos é pequeno (cerca de 7,5 minutos a menos para pegar no sono).
  • Para insônia crônica, as diretrizes preferem a terapia cognitivo-comportamental.
  • Há alguma evidência em jet lag e na fase do sono atrasada; em crianças, a evidência é pequena e incerta.
  • O uso de curto prazo parece seguro, mas faltam dados de longo prazo; o estudo sobre insuficiência cardíaca é observacional e preliminar.
  • No Brasil, o limite é de 0,21 mg por dia para adultos e não há alegações de benefícios aprovadas.
  • Converse com um profissional de saúde antes de usar, principalmente se tiver doenças, usar remédios, estiver grávida ou for dar a uma criança.

Referências

Suplementos alimentares não são medicamentos e não substituem uma alimentação equilibrada nem o acompanhamento de profissionais de saúde.

Conteúdo da Redação União Flora

As informações têm caráter educativo e não substituem a orientação de médico ou nutricionista. Suplementos alimentares não são medicamentos e não devem substituir uma alimentação equilibrada.

Foto de capa: Unsplash.

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